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Esse é o texto:
Civilização e barbárie]
Após o início da Guerra do Iraque, as populações dos países aliados têm sofrido o medo constante de atentados, temor confirmado com as explosões nos trens de Madri, em 2004. A pronta reação norte-americana de instaurar a “guerra contra o terror” criou uma polarização maniqueísta (de luta do “bem” contra o “mal”), em que o Oriente é visto por radicais de cá como o “eixo do mal”, enquanto os de lá classificam os Estados Unidos como o “grande satã”, o que só tende a estimular a intolerância xenófoba de parte a parte.
Não por acaso, muitas pessoas fazem generalizações preconceituosas contra os árabes, chamando-os de “bárbaros”, ou contra a religião islâmica, atribuindo a ela a culpa de atos que, de fato, se devem a facções fundamentalistas. Outros se regozijam com o que consideram uma ferida na soberba norte-americana. Essas atitudes são prejudiciais à democracia, pelo respeito que devemos aos diversos povos e pela necessidade de não se responder ao terror com o terror.
A esse propósito, o filósofo francês Francis Wolff teceu algumas observações importantes em “Quem é bárbaro?”. Nesta palestra, posteriormente publicada, ele começa examinando as respostas dadas pelos envolvidos na questão da Guerra do Iraque: para os partidários de Osama Bin Laden, a única civilização seria a do Islã, e bárbaros são os infiéis, ou seja, o Ocidente; já para os ocidentais, há quem afirme “a supremacia da civilização ocidental sobre o Islã”.
Para evitar esse tipo de raciocínio tendencioso de ambos os lados, Francis Wolff distingue três sentidos da barbárie, conforme três concepções de civilização:
a) Civilização como processo de abrandamento dos costumes, de refinamento nos modos de cumprir as funções naturais, como comer, defecar, assoar o nariz etc. e também a polidez no trato com os outros. Bárbaros seriam os brutos grosseiros que ignoram as boas maneiras, a “civilidade”.
b) Civilização como patrimônio das ciências, letras e artes, enfim, pelo estágio desenvolvido da cultura humana. Os bárbaros seriam os insensíveis ao saber ou à beleza, como “aquele que pilha as igrejas para fundir o ouro que nelas encontra, que queima os livros ou… destrói as estátuas”.
c) Civilização como “tudo aquilo que, nos costumes, em especial nas relações com outros homens e outras sociedades, parece humano, realmente humano — o que pressupõe respeito pelo outro, assistência, cooperação, compaixão, conciliação e pacificação das relações —, em oposição ao que se supõe natural ou bestial, a uma violência vista como primitiva ou arcaica, a uma luta impiedosa pela vida”.
Ora, é importante observar que, muitas vezes, sociedades que se orgulham de ter atingido os dois primeiros estágios descritos de civilização, são capazes de comportamentos que ferem o terceiro sentido. Assim, os civilizados gregos aceitavam com tranquilidade a escravidão, e os conquistadores espanhóis “civilizados” e cristãos dizimaram os astecas, por eles considerados “bárbaros” por praticarem uma religião que incluía sacrifícios humanos.
Esses exemplos nos mostram que “a barbárie, oposta à ideia única e simples de civilização, não existe”, já que povos ditos civilizados são capazes de atos de barbárie (no terceiro sentido), como já citamos anteriormente diversos deles. [E o filósofo Francis Wolff assim conclui:] “Por isso o ataque de 11 de setembro é de fato um ataque bárbaro, e por ser bárbaro é que exige uma resposta civilizada. É bárbaro tanto na forma como no fundo, não por ser organizado por uma religião ou cultura bárbara, mas por ser organizado em nome da ideia do Bem absoluto. E ele exige uma resposta civilizada, ou seja, uma luta sem hipocrisia, não em nome da ideia do Bem ou da civilização, mas em nome da luta pela diversidade da humanidade, da qual todas as civilizações são garantia”.
Considerando os três itens de significados atribuídos ao conceito de civilização, sob que aspectos podemos comparar (nas suas semelhanças e diferenças) as civilizações atuais com aquelas antigas?
Sagot :
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