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MIA COUTO
Como és bom marido! Tive sorte no homem da
minha vida..
O velho ficou calado, pensativo. Só mais tarde a
sua boca teve ocasião:
- Von ver se encontro uma pá.
- Onde podes levar uma pá?
- Vou ver na cantina,
Vais daqui até na cantina? É uma distância.
- Hei-de vir da parte da noite.
Todo o silêncio ficou calado para, ela escutar o
regresso do marido. Farrapos de poeira demoravam
o último sol, quando ele voltou:
Então, marido?
- Foi muito carissima e levantou a pá para
melhor a acusar
- Amanba de manba começo o serviço de covar.
E deitaram-se, afastados. Ela, com suavidade, inter-
rompeu-lhe o adormecer:
- Mas, marido...
- Diz lá
- Eu nem estou doente.
- Deve ser que estás. Você és muito velba.
- Pode ser - concordou ela. E adormeceram.
Ao outro dia, de manhã, ele olhava-a intensa-
mente.
- Estou a medir o seu tamanho. Afinal, você é
maior que eu pensava.
-
Nada, son pequena.
Ela foi à lenha e arrancou alguns toros.
- A lenba está para acabar, marido. Vou no
mato levar mais
-
Vai mulber. Eu vou ficar covar séu cemitérto.
Ela já se afastava quando um gesto a prendeu'à
capulana e, assim como estava, de costas para ele,
disse:
VOZES ANOTTECIDAS
Olba, velbo. Estou pedir uma coisa....
- Queres o quê?
- Cova pouco fundo. Quero ficar em cima, perto
do chão, tocar a vida quase um bocadinho.
- Está certo. Não lhe vou pisar com muita terra.
Durante duas semanas o velho dedicou-se ao
buraco. Quanto mais perto do tim mais se demorava.
Foi de repente, vieram as chuvas. A campa ficou cheia
de água, parecia um charco sem respeito. O velho
amaldiçoou as nuvens e os céus que as trouxeram.
Não fala asneiras, vai ser dado o castigo
aconselhou ela. Choveram mais dias e as paredes da
cova ruíram. O velho atravessou o seu chão e olhou
o estrago. Ali mesmo decidiu continuar. Molhado, sob
o rio da chuva, o velho descia e subia, levantando
cada vez mais gemidos e menos terra.
-
- Sai da chuva, marido. Você não aguenta,
assim.
Não barulha, mulher - ordenou o velho. De
quando em quando parava para olhar o cinzento
do céu. Queria saber quem teria mais serviço, se
ele se a chuva.
No dia seguinte o velho foi acordado pelos seus
ossos que à puxavam para dentro do corpo dorido.
- Estou a doer-me, mulher. Já não aguento
levantar.
A mulher virou-se para ele e limpou-lhe o suor
do rosto.
Você está cheio com a febre. Fai a chuva que
apanbaste.
Não é, mulher. Fot que dormi perto da fogueira:
- Qual fogueira?
Ele respondeu um gemido. A velha assustou-se:
qual o fogo que o homem vira? Se nenhum não
haviam acendido?
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